«Dava tudo para ter menos 10 anos e continuar a jogar»

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Um dia depois de ser alvo de justa homenagem por tudo o que deu ao polo aquático feminino, Inês Nunes voltou às Piscinas da Penteada para assistir ao Grécia-Hungria, a primeira das meias-finais, antes da viagem de regresso a Lisboa.

Depois de todas as emoções vividas, a capitã de Portugal que marcou presença em dois Europeus prometeu continuar a acompanhar a Seleção Nacional e as suas companheiras. «Não me vou embora, continuarei a estar atenta e a acompanhá-las da forma que puder. Noutras funções? Não sei, o que sei é que preciso de férias neste momento», disse, deixando para a equipa técnica liderada por Ferran Pascual a decisão de escolher a sua sucessora: «Acredito que, agora, é passar este sentimento de abandono, de orfandade, e a equipa técnica irá estudar e perceber quem é a melhor, ou as melhores, para levar a equipa onde queremos. De cabeça, não sei quem poderá ser, mas quem for escolhido desempenhará o papel tão bem ou melhor do que eu.»

Com mais de uma centena de internacionalizações por Portugal (107), Inês Nunes frisou que tudo valeu a pena e que o forte sentimento que tem pela modalidade e as amizades que construiu são o segredo para a sua longevidade desportiva. «Sem dúvida que valeu a pena. Voltava a repetir, dava tudo para ter menos 10 anos e continuar a jogar mais uns aninhos. O segredo da minha carreira é, acima de tudo, é o amor por este desporto. Depois, se calhar, ainda mais do que isso foram as pessoas com quem me cruzei. Se não me tivesse cruzado com pessoas que acrescentaram algo, que me fizeram sentir bem, não continuaria. Diria que o que me fez continuar até hoje foram as pessoas», confessou, frisando que um dos momentos altos do seu trajeto desportivo foi o que se passou após o jogo com a Alemanha: «Tenho de destacar este dia. Senti-me completamente abraçada por todos, agradeço muito a quem teve este trabalho, porque vou com o coração cheio.»