O objetivo foi cumprido, mas em noite de despedida da capitã Inês Nunes, a Seleção Nacional queria terminar o Europeu com uma vitória frente à Alemanha, no apuramento do 11.º e 12.º lugares. E foi até ao último minuto que Portugal lutou por um resultado diferente (ficou 13-12 para as germânicas).
Portugal entrou a perder (5-3 e 3-2 nos dois primeiros períodos), mas teve excecional reação no terceiro (venceu por 5-1) e ficando mesmo em vantagem no marcador que, apesar do esforço coletivo, não conseguiu manter com a Alemanha a ganhar no derradeiro momento do jogo (4-2). Um resultado incapaz de manchar a exibição de Portugal neste jogo e principalmente neste Europeu.
«Foram pequenos detalhes no fim, mas fico com a atitude da equipa, a vontade e o talento. Fez um jogo inacreditável. As condições de treino das nossas jogadoras estão muito por baixo das da Alemanha. Há jogadoras profissionais que vivem disto. As nossas deixam o trabalho para estar aqui, tiram férias para treinar e viajar, para dar a vida por este país», começou por afirmar Ferran Pascual, relembrando o potencial desta equipa: «Fico muito orgulhoso da equipa que temos. Ainda tem muito potencial e mostrámos isso. Ficamos em 12.º, mas sabemos que estamos entre o 12.º e o 10.º e podemos competir. Quem disse que ficámos em 12.º pelo sorteio, pode calar-se.»
E além do 12.º lugar, o que leva mais de Portugal deste Europeu? «Não só foi o campeonato, mas o processo. Esta equipa perdeu dois apuramentos para chegar até aqui, momentos duros e tristes. Mas com o trabalho diário, conseguimos, apurámo-nos, tirámos experiência. É o fim de um processo longo, mas que é para continuar. Tem evoluído de forma espetacular, é continuar e usar o trabalho feito no passado para atingir objetivos mais ambiciosos no futuro», prosseguiu, deixando também críticas à qualidade da arbitragem neste campeonato: «Não percebo como jogamos em casa e temos arbitragens assim, é inacreditável. A arbitragem foi muito fraca. Os melhores árbitros estiveram em Belgrado, no masculino, aqui só há uma árbitra boa, Marta Cabanas. Não perdemos por isso, mas foi fraco. No final de contas, não foi mais importante o resultado, mas a vontade e o desempenho que demonstraram. Esta equipa ainda tem muito para crescer, para atingir objetivos mais ambiciosos. É um prazer treiná-las, espero ficar muito tempo. Dentro de três meses temos Taça do Mundo, a ver se fazemos melhor do que neste Europeu, caso contrário será um passo atrás e eu, enquanto selecionador, só gosto de dar passos em frente.»
Homenagem a Inês Nunes
No final do encontro, a Federação Portugal de Natação, através do seu vice-presidente António Gomes, e as restantes jogadoras prestaram uma justíssima homenagem a Inês Nunes, testemunhada também pelo Secretário de Estado da Cultura, Juventude e Desporto, Pedro Dias.
Um vídeo passou nos ecrãs gigantes com mensagem das jogadoras e equipa técnica, além da troca de presentes, num momento muito emotivo que não deixou ninguém indiferente. «Não esperava, de todo. Apanharam-me desprevenida, mas elas são assim, conseguem surpreender quando não estamos à espera. São muito novas, muito vivaças. Embora digam que sou a irmã mais velha, sinto-me parte delas, acolheram-me extraordinariamente bem. Só tenho orgulho nelas», começou por afirmar Inês Nunes, deixando ainda uma mensagem positiva às suas companheiras para os desafios futuros: «O que levo disto tudo são as pessoas, os momentos bons que se sobrepõem a todos os momentos maus. O desporto de equipas é isto, levarmos as pessoas connosco, este espírito de sacrifício e união. Vou muito contente. Vou com sentimento de dever cumprido, acima de tudo tranquila. São muito novas, têm muito para crescer e têm tudo para evoluir. Acredito muito nelas. Custa sempre dizer adeus, mas era o momento certo, já tinha isto definido. Já era para ser antes, mas fui sempre mais um bocadinho. Vou muito contente, de coração cheio. Só tenho de agradecer a todos os que me acompanharam neste percurso.»
A finalizar, a capitã de Portugal elogiou o jogo frente à Alemanha. «Não vamos levar daqui o resultado que queríamos, mas o enorme jogo que a equipa fez. Todas deram o que tinham, queriam dar-me a vitória. Não preciso, fico feliz por tudo o que fizeram, estou muito orgulhosa do que fizeram», concluiu.
Em destaque neste último jogo esteve Maria Machado, com golos em todos os períodos do encontro (5), num total de 18 neste Europeu que fazem dela a melhor marcadora de Portugal. «Trabalhei muito para isto, como todas, mas fui eu como podia ter sido outra qualquer. Neste jogo demos tudo o que tínhamos. Queríamos sair com uma vitória, por nós e pelo último jogo da Inês Nunes. Foi um jogo muito emotivo. Queremos sempre ganhar, mas quando os árbitros não nos ajudam, é muito complicado. Mas demos tudo. Mostrámos que podíamos ficar em 12.º como em nono. As coisas são assim», disse, sublinhando que deste Europeu a Seleção Nacional não leva apenas o sentimento de dever cumprido com o 12.º atingido. «Levamos daqui uma experiência incrível, é um Europeu sénior, e toda a experiência de jogar aqui, com adversárias difíceis, as melhores do mundo, porque jogámos com Hungria e Espanha. Pela Inês, levamos uma grande amizade. É um símbolo de liderança, força e uma melhor amiga», afirmou, pensando já nos próximos desafios: «O próximo objetivo é a Taça do Mundo, e vamos sem a Inês, mas sensivelmente com a mesma equipa, se calhar com jogadoras mais jovens. É seguir e trabalhar, já temos esta experiência. Temos de continuar, como todas as camadas jovens. Os jovens são o futuro da seleção.»
Sérvia garante 9.º lugar
No primeiro jogo do dia, a Eslováquia conseguiu a sua primeira vitória neste Europeu, batendo a Roménia por 16-12, ganhando vantagem que soube gerir nos primeiros três períodos do jogo (4-2, 5-4, 3-2 e 4-4). A Eslováquia terminou em 15.º lugar, curiosamente a mesma posição do último Europeu (2024), em Eindhoven.
A Turquia, como se esperava, venceu a Suíça (18-8), naquele que foi o primeiro confronto entre ambos nesta competição, e garantiu o 13.º lugar, o mesmo conseguido no último Europeu. Em 2016 e 2018 ficaram em 12.º lugar, a última posição nesses europeus.
No último jogo do dia, a Grã-Bretanha, que ontem venceu Portugal, venceu a Sérvia (10-9) num jogo equilibradíssimo (1-1, 3-3, 3-2 e 3-3) e garantiu o 9.º lugar.
Classificações:
9.º - Grã-Bretanha
10.º - Sérvia
11.º - Alemanha
12.º - Portugal
13.º - Turquia
14.º - Suíça
15.º - Eslováquia
16.º - Roménia
Jogos para amanhã:
Apuramento 5.º-8.º lugares
Croácia-Israel (13.00 horas)
Espanha-França (15.00 horas)
Meias-finais
Grécia-Hungria (17.15 horas)
Países Baixos-Itália (19.15 horas)
Todos os resultados: https://europeanaquatics.org/ewpc-2026/funchal/schedule-and-results/#/schedule-bydate/ASF
